Um típico domingo de eleições Brasil à fora, mas quem voltou pra casa e teve o privilégio de acompanhar o maior clássica da Terra, pode ter certeza, não se arrependeu. Barcelona e Real Madrid mostraram ao mundo mais uma vez porque estes dois clubes são tão poderosos e imbatíveis.
Um jogo que trazia um ingrediente extra campo muito incomum, a Catalunha é uma comunidade autônoma na Espanha, e atualmente existe uma corrente nacionalista dentro do estado Catalão que busca independência da Espanha. Os catalãs afirmam que só terão plenitude em sua cultura, sua língua e seus direitos quando se libertarem da Espanha.
Mas então 98 mil pessoas se reúnem em um dos estádios mais fascinantes do planeta, com uma organização de méritos. Um volume extraordinário de pessoas entrando e saindo e sem nenhum sinal de confusão. Uma outra cultura? Ou será que o tempo passou muito mais rápido naquela região ?
Algumas surpresas nas escalações, Tito Villanova entrava em campo sem seus principais zagueiros, Adriano e Mascherano foram escalados no miolo da zaga. Daniel Alves foi substituído pelo recém chegado do time B do Barcelona Montoya, que começou a partida nervoso, um pouco deslocado com espetáculo ao qual entrou de surpresa (mas mostrou porque estava no banco).
Passaram-se aproximadamente 30 minutos e o Barcelona parecia tonto em campo, não era o time que todos estão acostumados a ver, a bola não parava nos pés de seus principais articuladores, Messi parecia se esconder de seus companheiros. Já o Real Madrid parecia começar a engrenar um futebol que todos esperam de um time com tantas estrelas, mas o estrelismo de seu general, José Mourinho parece subir a cabeça de seus jogadores. O time da capital consegue individualizar tanto os setores, fazendo o time depender de um único jogador para criar gols, característica que Mourinho devia ter copiado de Guardiola a tempos. As bolas eram forçadas a Di Maria e Ronaldo.
Com domínio da partida, não demorou e o Real Madri abriu o placar, Cristiano Ronaldo cala o Camp Nou. Mas não se pode ficar parado olhando um time que tem Xavi, Iniesta e Messi, em uma jogada confusa e típica do néscio Pepe, Messi se aproveita da falha do zagueiro e empata o jogo colocando fogo na partida.
Tiremos o chapéu a um jogador, Xabi Alonso, sua eficiência dentro de campo foi descomunal, defendeu a zaga o jogo todo, e se não fosse seu empenho e maestria na marcação o time madrilenho poderia ter saído no prejuízo.
O primeiro tempo terminou, e a insatisfação estava estampado nos torcedores, o maior clássico da Terra estava ''xoxo''. Faltava algo, o jogo não podia continuar nessa mornidão, então num estalar de 22 lutadores o segundo tempo começa ao ritmo de um flamejante flamenco. O Barcelona voltou ferido, e parecia ter lembrado como jogava, era difícil se adaptar a um novo esquema, os jogadores até então volantes deixam o time inseguro na marcação, principalmente pelo poder de fogo Madrilenho. Mas irrita, dá raiva em muita gente ver o controle e domínio do Barça.
Quando nada de incomum parecia acontecer no meio-campo, ele surgiu Messi se endiabrou e saiu cortando de lá pra cá e já tinha deixado três para trás e ele apareceu, Alonso parou Messi. Com seus poderes mágicos Messi bateu uma falta com perfeição, pronto não tem mais como definir as características deste jogador.
Agora dependia do Real mostrar que também tinha estrela, e quando alguns já começavam críticas ao estrelista Ronaldo, lá foi ele, em uma rara aparição de Ozil lança a bola para Cristiano que emplaca mais um e deixa tudo igual. A última vez que tinha visto cenas como esta foram no cinema, um espetáculo, uma explosão de talento e muita, mas muita qualidade futebolística.
Mourinho demora a tirar Di Maria, entra Kaká que não tinha muito tempo para reverter o resultado, e não conseguiu, mas seu interesse em entrar em campo, característica que um jogador deve possuir, mostrar interesse. E sua dedicação em campo foram dignas de um atleta, correu e se não pode criar oportunidades, marcou e marcou de mais, dizendo ao Mourinho - estou aqui e vou correr pelo time, sou homem !
Do outro lado saiu Fábregas que não conseguiu jogar em nenhum momento que esteve em campo e veio Alexis, fantástico jogador, não tem medo de partir pra cima dos marcadores. E a partida terminou empatada. Justo foi o resultado do jogo, e para alegria de todos que aplaudiram de pé os dois melhores jogadores do mundo que mostraram porque o são.
Essa foi apenas a 7ª rodada do campeonato espanhol. Rivalidade, pronto agora você sabe o que significa.