segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O DIA EM QUE A TERRA DEVIA PARAR

Um típico domingo de eleições Brasil à fora, mas quem voltou pra casa e teve o privilégio de acompanhar o maior clássica da Terra, pode ter certeza, não se arrependeu. Barcelona e Real Madrid mostraram ao mundo mais uma vez porque estes dois clubes são tão poderosos e imbatíveis. 

Um jogo que trazia um ingrediente extra campo muito incomum, a Catalunha é uma comunidade autônoma na Espanha, e atualmente existe uma corrente nacionalista dentro do estado Catalão que busca independência da Espanha. Os catalãs afirmam que só terão plenitude em sua cultura, sua língua e seus direitos quando se libertarem da Espanha. 

mosaico barcelona x real madrid (Foto: Reuters)

Mas então 98 mil pessoas se reúnem em um dos estádios mais fascinantes do planeta, com uma organização de méritos. Um volume extraordinário de pessoas entrando e saindo e sem nenhum sinal de confusão. Uma outra cultura? Ou será que o tempo passou muito mais rápido naquela região ?

Algumas surpresas nas escalações, Tito Villanova entrava em campo sem seus principais zagueiros, Adriano e Mascherano foram escalados no miolo da zaga. Daniel Alves foi substituído pelo recém chegado do time B do Barcelona Montoya, que começou a partida nervoso, um pouco deslocado com espetáculo ao qual entrou de surpresa (mas mostrou porque estava no banco).

Passaram-se aproximadamente 30 minutos e o Barcelona parecia tonto em campo, não era o time que todos estão acostumados a ver, a bola não parava nos pés de seus principais articuladores, Messi parecia se esconder de seus companheiros. Já o Real Madrid parecia começar a engrenar um futebol que todos esperam de um time com tantas estrelas, mas o estrelismo de seu general, José Mourinho parece subir a cabeça de seus jogadores. O time da capital consegue individualizar tanto os setores, fazendo o time depender de um único jogador para criar gols, característica que Mourinho devia ter copiado de Guardiola a tempos. As bolas eram forçadas a Di Maria e Ronaldo.

Com domínio da partida, não demorou e o Real Madri abriu o placar, Cristiano Ronaldo cala o Camp Nou. Mas não se pode ficar parado olhando um time que tem Xavi, Iniesta e Messi, em uma jogada confusa e típica do néscio Pepe, Messi se aproveita da falha do zagueiro e empata o jogo colocando fogo na partida.

Tiremos o chapéu a um jogador, Xabi Alonso, sua eficiência dentro de campo foi descomunal, defendeu a zaga o jogo todo, e se não fosse seu empenho e maestria na marcação o time madrilenho poderia ter saído no prejuízo.

O primeiro tempo terminou, e a insatisfação estava estampado nos torcedores, o maior clássico da Terra estava ''xoxo''. Faltava algo, o jogo não podia continuar nessa mornidão, então num estalar de 22 lutadores o segundo tempo começa ao ritmo de um flamejante flamenco. O Barcelona voltou ferido, e parecia ter lembrado como jogava, era difícil se adaptar a um novo esquema, os jogadores até então volantes deixam o time inseguro na marcação, principalmente pelo poder de fogo Madrilenho. Mas irrita, dá raiva em muita gente ver o controle e domínio do Barça. 

Quando nada de incomum parecia acontecer no meio-campo, ele surgiu Messi se endiabrou e saiu cortando de lá pra cá e já tinha deixado três para trás e ele apareceu, Alonso parou Messi. Com seus poderes mágicos Messi bateu uma falta com perfeição, pronto não tem mais como definir as características deste jogador. 

messi barcelona x real madrid (Foto: Getty Images)

Agora dependia do Real mostrar que também tinha estrela, e quando alguns já começavam críticas ao estrelista Ronaldo, lá foi ele, em uma rara aparição de Ozil lança a bola para Cristiano que emplaca mais um e deixa tudo igual. A última vez que tinha visto cenas como esta foram no cinema, um espetáculo, uma explosão de talento e muita, mas muita qualidade futebolística. 

barcelona cristiano ronaldo real madrid (Foto: Agência Reuters)

Mourinho demora a tirar Di Maria, entra Kaká que não tinha muito tempo para reverter o resultado, e não conseguiu, mas seu interesse em entrar em campo, característica que um jogador deve possuir, mostrar interesse. E sua dedicação em campo foram dignas de um atleta, correu e se não pode criar oportunidades, marcou e marcou de mais, dizendo ao Mourinho - estou aqui e vou correr pelo time, sou homem !

Do outro lado saiu Fábregas que não conseguiu jogar em nenhum momento que esteve em campo e veio Alexis, fantástico jogador, não tem medo de partir pra cima dos marcadores. E a partida terminou empatada. Justo foi o resultado do jogo, e para alegria de todos que aplaudiram de pé os dois melhores jogadores do mundo que mostraram porque o são.

messi cristiano ronaldo real madrid x barcelona (Foto: Reuters)

Essa foi apenas a 7ª rodada do campeonato espanhol. Rivalidade, pronto agora você sabe o que significa.




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